Escalões de IRS 2026: taxas, como se calculam e exemplos
Os escalões de IRS decidem que taxa paga cada fatia do teu rendimento. Não és tributado todo à taxa do teu escalão: cada parte paga a taxa do seu degrau. Aqui tens os escalões de 2026, a forma exata de fazer a conta, a descida de taxas aprovada pelo Parlamento e dois exemplos passo a passo.
Os escalões de IRS em 2026
As taxas gerais estão no artigo 68.º do Código do IRS e os limites para os rendimentos de 2026 foram fixados pela Lei do Orçamento do Estado (Lei n.º 73-A/2025). Os limites aplicam-se ao rendimento coletável, ou seja, ao que sobra depois da dedução específica (para trabalhadores por conta de outrem, 4 587,09 € ou as contribuições para a Segurança Social, se forem maiores) e de eventuais abatimentos, e não ao salário bruto.
| Escalão | Rendimento coletável | Taxa (Lei do OE2026) | Taxa com a descida aprovada | Imposto acumulado no topo |
|---|---|---|---|---|
| 1.º | até 8 342 € | 12,5% | 12,2% | 1 042,75 € |
| 2.º | 8 342 € a 12 587 € | 15,7% | 15,2% | 1 709,22 € |
| 3.º | 12 587 € a 17 838 € | 21,2% | 20,7% | 2 822,43 € |
| 4.º | 17 838 € a 23 089 € | 24,1% | 23,6% | 4 087,92 € |
| 5.º | 23 089 € a 29 397 € | 31,1% | 30,6% | 6 049,71 € |
| 6.º | 29 397 € a 43 090 € | 34,9% | 34,6% | 10 828,56 € |
| 7.º | 43 090 € a 46 566 € | 43,1% | 43,1% | 12 326,72 € |
| 8.º | 46 566 € a 86 634 € | 44,6% | 44,6% | 30 197,05 € |
| 9.º | mais de 86 634 € | 48% | 48% | — |
A última coluna mostra o imposto total (taxas da Lei do OE) no limite de cada escalão. Serve de atalho: para saber o imposto de qualquer valor, pegas no acumulado do escalão anterior e somas a fatia que está no teu escalão multiplicada pela respetiva taxa.
A descida de taxas aprovada em 2026
Em outubro de 2026 a Assembleia da República aprovou uma descida das taxas dos escalões 1.º a 6.º (entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais), com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2026. À data em que escrevemos, a lei ainda aguarda promulgação e publicação em Diário da República, por isso mostramos as duas colunas. Se entrar em vigor como aprovada, aplica-se na liquidação do IRS de 2026, que fazes entre abril e junho de 2027: o que pagares a mais em retenções ao longo do ano volta no reembolso. Os escalões 7.º a 9.º não mudam.
No nosso simulador podes escolher se queres aplicar a descida ou as taxas da Lei do OE2026. Enquanto a lei não for publicada, convém olhar para os dois resultados.
Taxa marginal e taxa média: não confundas
A taxa marginal é a do escalão onde cai o último euro do teu rendimento coletável: é a que se aplica a um aumento ou a um rendimento extra. A taxa média é o imposto total a dividir pelo rendimento coletável, e é sempre mais baixa, porque as primeiras fatias pagam taxas menores.
É por isso que não existe o famoso "aumento que me faz perder dinheiro" por mudar de escalão. Se passares de 29 000 € para 30 000 € de rendimento coletável, só os 603 € acima de 29 397 € pagam 34,9%. O que pode acontecer é perderes algum benefício que depende do rendimento (como o limite de algumas deduções ou o mínimo de existência), mas nunca por causa da taxa em si.
O método oficial: taxa × rendimento − parcela a abater
A AT e muitas tabelas apresentam a conta de outra forma: multiplicas todo o rendimento coletável pela taxa do teu escalão e tiras uma parcela a abater, que corrige o facto de as fatias de baixo pagarem menos. O resultado é exatamente o mesmo da soma por fatias. Por exemplo, no 4.º escalão a parcela a abater é 1 476,53 € e no 6.º é 4 209,85 € (com as taxas da Lei do OE).
Exemplo 1: rendimento coletável de 20 000 €
Pensa num trabalhador solteiro com cerca de 24 600 € brutos por ano (por exemplo, 1 757 € × 14), cuja dedução específica deixa 20 000 € de rendimento coletável. As contas, fatia a fatia, com as taxas da Lei do OE:
| Fatia | Valor | Taxa | Imposto |
|---|---|---|---|
| 0 € a 8 342 € | 8 342 € | 12,5% | 1 042,75 € |
| 8 342 € a 12 587 € | 4 245 € | 15,7% | 666,47 € |
| 12 587 € a 17 838 € | 5 251 € | 21,2% | 1 113,21 € |
| 17 838 € a 20 000 € | 2 162 € | 24,1% | 521,04 € |
| Total (coleta) | 20 000 € | 3 343,47 € |
Pelo método da parcela a abater: 20 000 × 24,1% − 1 476,53 = 3 343,47 €. A taxa marginal é 24,1%, mas a taxa média é apenas 16,72%. Com a descida aprovada, a coleta passaria a 3 260,15 € (taxa média de 16,30%), menos 83,32 € por ano.
Exemplo 2: rendimento coletável de 35 000 €
Aqui o rendimento chega ao 6.º escalão. Até 29 397 € o imposto acumulado é 6 049,71 €; os 5 603 € restantes pagam 34,9%, ou seja, 1 955,45 €. Total: 8 005,15 €, uma taxa média de 22,87% apesar de a taxa marginal ser 34,9%. Com a descida, ficaria em 7 858,04 € (22,45%), uma poupança de 147,11 €.
Atenção: este valor é a coleta, antes das deduções à coleta. Ao imposto final ainda abates despesas gerais familiares, saúde, educação, rendas, dependentes e outras (vê o guia das deduções no IRS). Só depois comparas com o que já te foi retido durante o ano para saber se tens reembolso.
Casados e unidos de facto: o quociente conjugal
Se o casal optar pela tributação conjunta, o rendimento coletável dos dois é somado e dividido por dois; aplicam-se as taxas a essa metade e o resultado é multiplicado por dois (artigo 69.º do CIRS). É o chamado quociente conjugal. Quando os dois ganham o mesmo, dá igual; quando há uma grande diferença de rendimentos, a conjunta baixa o imposto. Com um rendimento coletável conjunto de 50 000 €, por exemplo, o casal paga 2 × 4 682,24 € = 9 364,48 € de coleta, contra 13 858,28 € se a mesma soma fosse de uma só pessoa. Explicamos tudo no guia IRS conjunto ou separado.
Taxa adicional de solidariedade
Acima de 80 000 € de rendimento coletável há uma taxa extra (artigo 68.º-A): 2,5% sobre a parte entre 80 000 € e 250 000 € e 5% sobre o que passar de 250 000 €. Com 100 000 € de rendimento coletável, a taxa de solidariedade é de 500 € (2,5% × 20 000 €), somada aos 36 612,73 € resultantes dos escalões. Nos casais em tributação conjunta, os limites aplicam-se também a metade do rendimento.
Mínimo de existência
Os escalões não são a única peça. O mínimo de existência garante que quem tem rendimentos baixos fica com pelo menos um valor de referência depois do imposto: em 2026 são 12 880 € (920 € × 14). Na prática, quem ganha o salário mínimo não paga IRS, e quem está um pouco acima paga menos do que os escalões dariam. Vê o guia do salário mínimo para os números.
Madeira e Açores
As regiões autónomas aplicam taxas próprias, mais baixas, sobre os mesmos limites. Na Madeira, as taxas de 2026 vão de 8,75% no 1.º escalão a 33,6% no último; nos Açores, a redução regional pode chegar a 30%. O nosso simulador permite escolher a região.
Erros comuns
- Aplicar a taxa do escalão a todo o rendimento. Só a fatia dentro do escalão paga essa taxa: usa a taxa média para perceber quanto pagas de facto.
- Usar o salário bruto em vez do rendimento coletável. Primeiro tiras a dedução específica (ou as contribuições, se maiores) e só depois entras na tabela.
- Confundir escalões com tabelas de retenção. As tabelas que a empresa usa todos os meses são uma aproximação; o imposto a sério é o que resulta dos escalões na declaração anual. Lê o guia das tabelas de retenção.
- Esquecer as deduções à coleta. O valor dos escalões é a coleta, não o imposto final.
- Dar a descida como certa. Até ser publicada em Diário da República, a lei pode ainda mudar ou ser vetada.
Perguntas frequentes
Mudar de escalão faz-me ganhar menos?
Não. Só o dinheiro acima do limite paga a taxa mais alta. O teu rendimento líquido sobe sempre que o bruto sobe, ainda que menos do que o aumento.
Os escalões aplicam-se ao salário mensal?
Não. Os escalões são anuais e aplicam-se ao rendimento coletável do ano todo. Mensalmente, a empresa usa as tabelas de retenção na fonte, que tentam aproximar o imposto final.
Quando é que a descida de taxas me chega ao bolso?
Se for publicada como aprovada, na liquidação do IRS de 2026, entre abril e junho de 2027, sob a forma de mais reembolso ou menos imposto a pagar. O Governo pode também ajustar as tabelas de retenção, mas isso depende de despacho próprio.
O IRS Jovem muda os escalões?
Não muda as taxas: isenta uma parte do rendimento, que deixa de entrar no rendimento coletável. Ainda assim, essa parte conta para determinar a taxa aplicável ao resto. Detalhes no guia do IRS Jovem.
Queres ver o teu caso concreto? O simulador de salário calcula o rendimento coletável, a coleta, as deduções e a taxa média a partir do teu salário bruto.
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